coletivos em rede e organizações - coro

 


C.D.M. (Centro de Desintoxicação Midiática)


Ativo desde 2003
Origem: Pelotas – RS
Leonardo Furtado + Pablo de la Rocha + Ricardo Mello
Grupo de pseudo-artistas que desenvolvem um trabalho de caráter experimental, tendo a coragem de não aceitar o senso comum e as imposições mercantilistas. Indivíduos interessados em discussões acerca da arte contemporânea e suas inserções, propondo e realizando, a partir destas discussões, Re-ações Públicas sistemáticas. São trabalhos que se inserem diretamente no tecido urbano. Rompendo assim conseqüentemente quaisquer relações com o espaço sacralizado de exposição de arte, abstendo-se da dependência do convencional circuito artístico, com tudo que isto implica em relação às percepções específicas destes trabalhos e suas possíveis leituras.

www.grupocdm.pop.com.br


C.D.M. (Centro de Desintoxicação Midiática)

Actif depuis 2003
Origine: Pelotas RS
Leonardo Furtado + Pablo de la Rocha + Ricardo Mello
Groupe de pseudo-artistes développant un travail de caractère expérimental, ayant le courage de ne pas accepter le sens commun et les impositions mercantilistes. Des individus intéressés à la discussion autour de l'art contemporain et ses insertions, proposant et réalisant à partir de ces discussions des Re-actions Publiques systématiques. Il s'agit de travaux qui s'insèrent directement dans le tissu urbain, qui rompent par conséquent avec tous les rapports avec l'espace sacralisé de l'exposition d'art, en s'abstenant de la dépendance par rapport au circuit artistique conventionnel, avec tout ce que ça entraîne par rapport aux perceptions spécifiques de ces travaux et ses possibles lectures.


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C.D.M. (CENTRO DE DESINTOXICAÇÃO MIDIÁTICA)

MANIFESTO DO PSEUDO-ARTISTA

- Pseudo-artista não freqüentou necessariamente nenhuma escola de arte;
- Pseudo-artista geralmente é pobre;
- Pseudo-artista não tem atelier, alguns conseguem uma garagem ou algum espaço alternativo para desenvolverem os seus projetos;
- Pseudo-artista dá o sangue por sua arte;
- Pseudo-artista passa madrugadas trabalhando e não se preocupa em ganhar dinheiro com o seu trabalho;
- Pseudo-artista trabalha com o mínimo de material e com as ferramentas mais precárias e toscas possíveis;
- Pseudo-artista sabe que o seu trabalho é provavelmente um embuste e não o leva a sério, produzindo pelo verdadeiro interesse e prazer de produzir;
- Pseudo-artista considera qualquer outra manifestação cultural (principalmente a música) mais interessante que a arte institucional;
- Pseudo-artista produz ouvindo música não comercial, de preferência rádio comunitária;
- Pseudo-artista não se limita a nenhum tipo de manifesto artístico.

1. Defina seu coletivo.

Antes de tecer uma definição dos preceitos básicos do C.D.M. (modo como é comumente chamado nosso coletivo) é necessário entender o conceito do que denominamos como “pseudo-artista”.
Tendo em mente que muitos circuitos e organizações que se pretendem alternativos acabam por seguir determinado parâmetros e paradigmas inerentes à processos institucionais da arte contemporânea (o que é, até certo ponto, justificável – uma vez que estas organizações buscam uma maior inserção e visualização), nosso coletivo organiza-se no sentido de tentar escapar de certos cânones pré-estabelecidos. Como, por exemplo, o pré-conceito que a palavra artista implica.
No intuito de esvaecer a aura que esta palavra carrega, concebemos a alcunha de pseudo-artista: entendida aqui como sendo o indivíduo que, mesmo tendo uma produção, pensamento, e foco definidos na sua obra, questiona paulatinamente o seu “status” como artista. Ou seja, o pseudo-artista questiona a sua visualidade real e existência social; o seu papel frente às instituições de arte e às mídias; e a validade de suas trajetória e obra inseridas neste cenário de preceitos diversos e divergentes da arte contemporânea.
Isto posto, definimos o Centro de Desintoxicação Midiática como sendo um grupo de pseudo-artistas que desenvolvem um trabalho de caráter experimental, tendo a coragem de não aceitar o senso comum e as imposições mercantilistas. Indivíduos interessados em discussões acerca da arte contemporânea e suas inserções, propondo e realizando, a partir destas discussões, re-ações públicas sistemáticas.

2. Como pensam a coletividade na prática artística contemporânea?

Frente a um cenário restrito e fechado instaurado na arte contemporânea de produção e oportunidades de se adquirir visibilidade, o número crescente de coletivos apenas demonstra o quanto à união entre artistas se coloca como necessária.
Além do objetivo mais rapidamente identificável - a criação de circuitos paralelos - os coletivos também buscam possibilitar a troca e o embate fundamental entre diferentes artistas, com seus diferentes repertórios e visões. Enriquecendo assim a produção e visão de seus integrantes.

3. Como pensam o indivíduo no coletivo?

Acreditamos que a sincronicidade funciona. Numa multiplicidade de expressões, com uma diversidade de técnicas e talentos, mesmo que o processo de trabalho e linha de pensamento de cada pseudo-artista tenha um direcionamento por vezes até mesmo divergente, a diferença é que, este processo de uma produção que acontece ao longo de discussões e com uma proximidade que os pseudo-artistas têm entre si, acaba formando uma soma muito peculiar que é específica de nosso coletivo.

4. Como se organizam coletivamente?

O principal fórum de discussões se dá pela internet, além de ocorrerem também fisicamente. O ponto de encontro físico acontece em um atelier na cidade de Pelotas, que se constitui de uma garagem. Re-ações públicas e outras ações são planejadas em reuniões.

5. Qual a posição do coletivo em relação às instituições?

Os pseudo-artistas do C.D.M. procuram, através de discussões e planejamentos, encontrar meios de inserir-se no circuito da arte contemporânea. A princípio procurando lançar mão de meios alternativos, mas sem ignorar a importância de salões, museus, galerias, etc.
Nosso coletivo não quer necessariamente ir contra as instituições, mas sim, justamente por dar-se conta da importância destes espaços é que, procuramos aceitação por parte dos mesmos para posteriormente subvertê-los de maneira inteligente.
Como exemplo podemos citar uma intervenção no evento da exposição imersões noturnas de Ricardo Mello (um membro do coletivo), que ocorreu em maio de 2004. Uma folha de papel contendo os dizeres “TODA FORÇA AOS PSEUDO-ARTISTAS” foi colocada no interior da instalação, constituindo-se na verdade de uma intervenção proposital, uma vez que não fazia parte da obra. É importante frisar que isto ocorreu no Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo, um museu predominantemente histórico e uma instituição tradicional da cidade de Pelotas.

6. Como o coletivo se mantém e viabilizam materialmente suas ações?

O Centro de Desintoxicação Midiática não possui nenhuma espécie de patrocínio, sendo sustentado pelos próprios integrantes. As ações são conseqüentemente planejadas com materiais baratos.
Apesar das dificuldades, também vemos esse fato como positivo, uma vez que o coletivo não está comprometido com qualquer tipo de instituição ou patrocinador.

7. A quais ações artísticas se propõem? Exemplifique.

O C.D.M. promove, além de intervenções nas exposições dos seus membros, o que chamamos de re-ações públicas.
Agregando conceitos de cada membro, são efetuadas intervenções gráficas nas ruas. Estas intervenções se dão em espaços públicos através de adesivos, cartazes, grafite, etc. E geralmente se constituem de frases inerentes aos princípios do coletivo, como “TODA FORÇA AOS PSEUDO-ARTISTAS”.


8. Existe um posicionamento ético/político pré-estabelecido em suas práticas e conceitos? Quais os critérios utilizados para concepção dos projetos do grupo?

Acreditamos que além dos posicionamentos implícitos de insatisfação com o cenário restrito de espaços de exposição e visibilidade, o cerne do pensamento ideológico do coletivo se demonstra pelo próprio nome. A desintoxicação midiática que o nome propõem refere-se a um dos princípios norteadores do trabalho dos artistas (como ações e como obras) e ao trabalho do coletivo como um todo.
Os critérios para a concepção dos projetos em grupo podem se resumir ao fato de cada ação do coletivo ser planejada consensualmente por todos os membros. Para o coletivo é importante a contaminação do trabalho de todo o conjunto em cada projeto.

9. Qual a posição do coletivo em relação à curadoria?
Interiormente, todos os membros são importantes nas decisões em relação às propostas e planejamentos. É importante deixar claro também que, apesar de possuir apenas três integrantes oficiais, o coletivo encontra-se em processo de expansão. Ele existe também na internet, possuindo virtualmente 7 integrantes em uma comunidade virtual. O coletivo pode ser encontrado on-line como uma comunidade do sistema orkut (www.orkut.com), com o nome de Centro.DesintoxicaçãoMidiática.