coletivos em rede e organizações - coro

 


Espaço Coringa

Ativo desde 1998
Origem: São Paulo – SP
Anderson Rei + Chico Linares + Daniel Manzione + Fabrício Lopez + Flávio Capi, Guilherme Werner + Matheus Giavarotti + Rogério Nagaoka.
O Espaço Coringa é um grupo de artistas que atua em diversas frentes de trabalho relacionadas à arte contemporânea, produzindo trabalhos de arte, promovendo atividades educativas e realizando exposições, mostras de vídeo, publicações e debates. Desde 1998 o grupo cria e reflete sobre arte em colaboração, reunindo esforços para realizações coletivas e individuais.
www.espaçocoringa.com.br




Espaço Coringa

Actif depuis 1998
Origine: São Paulo SP
Anderson Rei + Chico Linares + Daniel Manzione + Fabrício Lopez + Flávio Capi, Guilherme Werner + Matheus Giavarotti + Rogério Nagaoka.
L'Espaço Coringa est un groupe d'artistes agissant dans plusieurs fronts de travail en rapport à l'art contemporain : production de travaux artistiques, promotion d'activités éducatives et réalisation d'expositions, festivals vidéo, publications et débats. Depuis 1998 le groupe crée et réfléchit sur l'art en collaboration, réunissant efforts pour des réalisations collectives et individuelles.

www.espaçocoringa.com.br
 
QUESTIONÁRIO
1. Defina seu coletivo.
- O Espaço Coringa é formado por um grupo de artistas que se juntaram para produzir e refletir sobre arte, e começou como uma resposta à necessidade de viabilizar espaços expositivos extra-institucionais.
O grupo possui um ateliê, onde os integrantes desenvolvem seus trabalhos pessoais e coletivos e ministram aulas. Além das aulas, o espaço do ateliê sedia muitas das atividades do grupo, como debates, exposições e reuniões de trabalho.
O grupo tem como objetivo agregar pessoas para o trabalho coletivo. Buscando a junção de esforços e de força de trabalho, o grupo atua criando e viabilizando exposições em espaços institucionais ou não, promovendo debates, produzindo publicações de arte e sobre arte.
O grupo prentende investigar, refletir e promover várias questões relativas ao ofício do artista.
Participam do ateliê várias pessoas que não são seus integrantes propriamente ditos. Alunos e colegas de trabalho se encontram no ateliê para desenvolver projetos conjuntos, conversar, estudar, etc.

2. Como pensam a coletividade na prática artística contemporânea?

- A coletividade tem mais força de realização do que indivíduos trabalhando isoladamente. A coletivização do trabalho artístico é uma estratégia de sobrevivência. Nâo há nada de novo na agregação de artistas. É preciso buscar o que há de pertinente nessa tendência que hoje se fortalece no Brasil.
Trabalhar em grupo também permite que vejamos mais sentido no que está sendo produzido. Permite que se fortaleça e aprofunde tendências e vontades individuais. É difícil pensar a arte no coletivo se se trabalha sozinho.

3. Como pensam o indivíduo no coletivo?
- O coletivo só existe se as individualidades que a ele dão forma permanecerem. É do trabalho individual que todos os trabalhos do grupo se desenvolvem e é à vivência pessoal que ele se reporta. Se se almeja tocar a coletividade, é preciso achar o que há de absolutamente pessoal na vivência coletiva.
O Espaço Coringa como um grupo ganha sua força não só do trabalho que cada integrante doa ao coletivo, mas também do desenvolvimento do trabalho pessoal de cada artista do grupo. Se cada artista no grupo não está trabalhando, aí há menos sentido em continuar como um coletivo.

4. Como se organizam coletivamente?
- A assembléia é a instância máxima para todas as decisões. Às vezes dividimos o trabalho em grupos, que são responsáveis pela execução de tarefas e criação de soluções, sempre se reportando ao coletivo como um todo.
O coletivo não se move com todos juntos sempre. Às vezes é preciso uma pessoa puxar o grupo, desenvolvendo uma idéia, e posteriormente apresentá-la ao coletivo. A delegação de responsabilidade é uma estratégia de trabalho. Todos os membros do ateliê têm capacidade de representar o coletivo em suas ações.
5. Qual a posição do coletivo em relação às instituições? ( circuito, mercado, inserção, curadoria, crítica, museus...).
- É necessário que o artista viva de seu trabalho. O Espaço Coringa atua tentando modificar a maneira como as obras de arte são comercializadas hoje em dia. Já organizamos três Saldões de arte, vendendo trabalhos de arte a preços acessíveis para uma maior porção de pessoas.
- O coletivo atua buscando uma alternativa às instituições e diversas exposições e publicações já foram criadas com esse intuito. O ateliê não depende das intituições para existir.
- As instituições precisam dos artitas. Elas existem porque existem os artistas. Entretanto os artistas têm se mostrado bastante coniventes, de um modo geral, com a atual situação. Isso se deve, em grande parte à carência que todos sentimos de recursos para trabalhar, tanto em termos financeiros, como materiais e de espaço. O Espaço Coringa defende uma ação propositiva, que cria espaços, batalha apoios, corre atrás do prejuízo em vez de esperar por uma brecha no conceito de um determinado curador.

6. Como o coletivo se mantém e viabiliza materialmente suas ações? (tem patrocínio?, etc.).
- O ateliê se mantém principalmente devido ao patrocínio dos artistas integrantes. Os cursos de arte subsidiam o espaço, embora não totalmente. Cada artista se vira de formas diferentes pra pagar as contas. Diferentes projetos (com educação, design, ilustração, vídeos institucionais, etc.) são desenvolvidos para batalhar o pão de cada dia.

7. A quais ações artísticas se propõem? Exemplifique.
As ações coletivas do grupo são principalmente a criação de oportunidades para a criação pessoal e para o trabalho em coletividade. O embate pessoal com situações propostas coletivamente.
O grupo entende também a pedagogia da arte como uma ação artística em si e há dois anos desenvolve pesquisa nesse campo. Muitas das ações executadas pelo grupo são inseparáveis do trabalho com outras pessoas, do debate e da exposição.
A seguir, alguns exemplos:
Documentação Poética: A Documentação Poética é uma proposta de ação artística na qual os participantes executam um estudo poético sobre um determinado lugar.
Durante algum tempo, artistas convivem no local, produzindo - nele e sobre ele - uma investigação de natureza estética. Essa investigação é o tema gerador e eixo condutor do trabalho em campo. Os trabalhos produzidos durante esse período de investigação são expostos no local onde foram feitos.
Durante essa investigação, acontecem conversas, trabalhos coletivos, execução de projetos pessoais... Os artistas utilizam o espaço como seu ateliê, e o processo de execução e criação das obras é exposto, tanto no final, como durante seu curso.
A proposta não é restrita aos integrantes do grupo. Participantes, habitantes do local ou não, também comparecem para executar as atividades.
- Ação na Pagú - proposta de Documentação Poética sobre a área central da cidade de Santos, mediada por determinadas mídias: fotografia, desenho, escultura, gravura e vídeo. Inscrições foram abertas a toda a população da cidade e participaram também artistas convidados de São Paulo.
Os integrantes do ateliê coordenaram os grupos, organizados de acordo com a mídia que orientava seu contato com a paisagem. Durante três dias, diversas pessoas percorreram a cidade em três caminhos diferentes para realizar a investigação. Todo o material criado durante o processo de trabalho foi reunido na Oficina Cultural Pagú, a cadeia velha de Santos, em uma grande exposição.
- Elétrica - Documentação Poética: Exposição coletiva de todos os integrantes do grupo, executada em Paranapiacaba. Os trabalhos foram produzidos especificamente para essa exposição, e foram o resultado de uma vivência e um estudo prolongados na vila.

8. Existe um posicionamento ético/político pré estabelecido em suas práticas e conceitos? Quais os critérios utilizados para concepção dos projetos do grupo?
- O grupo como um todo busca entender e desenvolver o ofício do artista, em diversas instâncias. Entende que é de responsabilidade do artista tanto a concepção e execução de seus trabalhos, como sua viabilização, divulgação e reflexão. Para tanto, busca promover debates entre artistas, troca de experiências, desenvolver maneiras alternativas de inserção do trabalho no circuito comercial, publicações, etc.
Buscando entender a dimensão coletiva do trabalho de arte, o grupo possui um núcleo pedagógico que pesquisa a pedagogia em arte, ministrando aulas, promovendo debates e publicações.
Uma atitude propositiva norteia as várias atuações do grupo, que privilegia a ação criadora de possibilidades, em vez da atuação pela denúncia ou crítica exacerbadas.

9. Qual a posição do coletivo em relação à curadoria? (pense curadoria nas mais diversas formas, desde interna (dos integrantes) a externa (convidados ou propostas).
- O grupo atua com curadoria coletiva, por meio de conversas informais, ou curadoria individual, em que cada artista resolve o que vai expor. A curadoria é também parte do trabalho do artista, mas pode ser compartilhada. Nos projetos de documentação poética, a seleção e produção dos trabalhos é de responsabilidade de cada participante, tendo como tema o local de estudo.