coletivos em rede e organizações - coro

 


Grupo HÁ

Origem: São Paulo – SP

Inativo

Ana Goldenstein Carvalhaes + Maria Lucia Judas + Gabriel kerhart + Ana Tereza Amaral + Ana Carolina Albuquerque + Iratan Gomes

Somos um grupo de performers, artistas criadores. Não criamos as mesmas coisas, somos diferentes uns dos outros e nos interessamos por coisas diferentes. Estamos pesquisando juntos o que temos em comum enquanto artistas, pesquisando nossa linguagem. Pesquisamos em mídias diferentes, não nos prendemos a nenhum tipo de expressão, nos utilizamos de dança, teatro, vídeo, aparelhos de diversos usos, que adaptamos na nossa mídia corporal. Ao mesmo tempo formamos uma cena própria. A pesquisa pessoal nos leva a um caminho do corpo ancestral; é um corpo específico que estamos procurando. O corpo do performer em busca, em constante permissão. FECHADOS PARA BALANÇO




Grupo HÁ


Origine: São Paulo – SP

Inatif

Questionário:

1. Defina seu coletivo.
Somos um grupo de performers, artistas criadores. Não criamos as mesmas coisas, somos diferentes uns dos outros e nos interessamos por coisas diferentes. Estamos pesquisando juntos o que temos em comum enquanto artistas, pesquisando nossa linguagem. Pesquisamos em mídias diferentes, não nos prendemos a nenhum tipo de expressão, nos utilizamos de dança, teatro, vídeo, aparelhos de diversos usos, que adaptamos na nossa mídia corporal. Ao mesmo tempo formamos uma cena própria. A pesquisa pessoal nos leva a um caminho do corpo ancestral; é um corpo específico que estamos procurando. O corpo do performer em busca, em constante permissão. FECHADOS PARA BA;ANÇO

2. Como pensam a coletividade na prática artística contemporânea?
É muito difícil trabalhar em grupo. Aceitamos as dificuldades que isso nos traz considerando como um ponto criativo que nos leva a cena fatal do homem: vivemos em sociedade. Seu compromisso com o outro. (olhar o outro é olhar a si mesmo). Desde o momento de seu nascimento até a morte.
Foi verdadeiro tomar essa questão como uma crise que passamos. Chegamos a tomar esta questão como ponto de partida (estarmos juntos).
A coletividade é muito importante nesse momento de intensa individualização, quando os recursos são muitos, porém acessíveis para poucos. E quando trabalhar individualmente é muito difícil , ilusório.

3. Como pensam o indivíduo no coletivo?
Os indivíduos de nosso grupo assumem suas idiossincrasias. É de extrema importância saber medir a intensidade de cada um e o espaço que cada um ocupa no coletivo para todos poderem circular e a ninguém ferir. Saber ouvir o outro é conhecer sua forma individual. Cada um pode mudar sua relação com o todo a ponto de transformar a realidade coletiva.

4. Como se organizam coletivamente?
Não temos um diretor. O processo se faz através de uma criação coletiva. Onde os performers interpretes criadores desenvolvem seu trabalho sempre trocando com o grupo. As relações em comum são privilegiadas. Tomamos um texto ou um tema como base e seguimos discutindo em conjunto. Cada um se volta para uma coisa diferente. As conseqüências das opções são levadas em consideração. As regras são feitas a partir das próprias performances e temos que mudar de regras sempre, o que nos causam complicações que gostamos de trabalhar. Os limites são descobertos quando percebemos que exageramos. A relação entre nós é também muito marcada pelo risco. Das funções coletivas ou burocráticas, cada um toma para si o que pode e o que gosta de fazer. Procuramos entrar em acordos.

5. Qual a posição do coletivo em relação às instituições? ( circuito, mercado, inserção, curadoria, crítica, museus...).
A partir do momento que nos expressamos em diversas linguagens, nos interessa trabalhar em muitos tipos de instituições. Não temos nenhum tipo de preconceito em relação às instituições; ao mesmo tempo em que o trabalho que apresentamos muda em diferentes instituições, muda também as relações que temos com elas. Não queremos nos vincular politicamente a nenhum tipo de instituição. Não queremos fundar um partido. Propomos trocas, oferecemos Arte. Queremos fazer desses lugares-linguagens. Não tentamos mudar instituições em que não estabelecemos trocas. Procuramos estar sempre em contato com lugares alternativos, que tenham histórias ou arquiteturas que nos instigue.
Estamos intrinsecamente vinculados com os espaços que nos apresentamos.

6. Como o coletivo se mantém e viabilizam materialmente suas ações? (tem patrocínio?, etc.).
Ainda não temos espaço adequado para ensaio e treino do trabalho. Oferecemos permuta (privilegiamos a troca) Mas nunca tivemos patrocínio. A partir de eventos que criamos de exposições de nossos trabalhos (vídeos e performances), levantamos pouco dinheiro que é usado para material, nunca sobrando para outras coisas. Em geral, pagamos para trabalhar. Fazemos reuniões nas casas dos performers e em parques e ruas, espaços públicos. No entanto almejamos ter uma estrutura para aprofundar nosso trabalho no corpo.

7. A quais ações artísticas se propõem? Exemplifique.
Ações artísticas: pintar desenhar cantar dançar escrever expressar isso de forma cênica. A partir do pressuposto de que estamos abertos a diversas áreas das artes para nos expressar e construir um pensamento, abrimos possibilidades para múltiplas leituras e diversos canais. Procuramos adensar o trabalho ao máximo, criando assim a possibilidade de ser entendidos por todo tipo de gente, das mais conceitualizadas até por um público que não é da área. Nossa ação está predisposta a interação ativa com o público, seja de maneira sutil ou explícita. Queremos interagir e as conseqüências disso não temos em rédias (não são nossas).

8. Existe um posicionamento ético/político pré estabelecido em suas práticas e conceitos? Quais os critérios utilizados para concepção dos projetos do grupo?
Cada um possui seu próprio posicionamento político /ético, possivelmente distinto entre cada um de nós. Mas em conjunto, não temos posicionamento político/ético anterior, a não ser o respeito entre cada um de nós. Tomamos uma dança, imagem, som, enfim um texto em comum para desenvolver. Isso se transforma numa pesquisa, que por sua vez se transforma no projeto, tomando formas próprias. Todos se apropriam do que é criado por um.

9. Qual a posição do coletivo em relação à curadoria? (pense curadoria nas mais diversas formas, desde interna (dos integrantes) a externa (convidados ou propostas).
Aceitamos a propostas externas. Tivemos dois organizadores até então, Renato Cohen e Lucio Agra, que estiveram conosco até a conclusão da Universidade. Sempre desenvolvemos nossas pesquisas pessoais, para em grupo selecionar as coisas que fazem sentido no conjunto, ou seja, somos nossos próprios curadores. Muitas vezes nos encontramos com pessoas externas para opinarem na produção e criarem conosco.

currículo

Este projeto está vinculado ao trabalho de conclusão de curso de graduação em Comunicação das Artes do Corpo, da Pontifícia Universidade Católica.
Fizemos três apresentações no TUCA Arena, nos dias 8, 9 e 10 de dezembro de 2003 e também três apresentações no Espaço Viga, centro cultural da Vila Madalena no mês de novembro de 2003.
A concepção original foi feita sob orientação do encenador Renato Cohen, com a co-orientação de Naira Ciotti, Lucio Agra, João André Rocha e Samira Brandão. É um trabalho que se projeta para além da Universidade, ganhando caráter profissional, com apresentações previstas para o primeiro semestre de 2004.

Trata-se de um trabalho de caráter experimental, de pesquisa da própria linguagem. Através do Work in Progress criativo, partindo de processos internos de cada artista, o procedimento se baseia em laboratórios, onde se desenvolvem experiências cênicas aos questionamentos teóricos.

Nossa proposta de encenação pressupõe o espaço da improvisação cênica, abrindo a pesquisa para o público. Ao mesmo tempo, incorporamos o risco e o acaso do processo de criação artística como parte da obra.

Concepção

Tendo iniciado a pesquisa com a transcriação de Haroldo de Campos sobre o texto “Hagoromo” de Zeami (teatro Nô), o processo agora se encaminha para a montagem e desmontagem de uma esfera performática de textos e poesias específicas.
Trabalhando com a transcriação de Haroldo de Campos, o Grupo HA desenvolve uma pesquisa onde Brasil e Japão se encontram. Nesse percurso de referências ocidentais da arte contemporânea e suportes tecnológicos, criaturas se deslocam entre a vida e a morte, entre o céu e a terra. O manto de Hagoromo de Zeami se transforma em um Parangolé de Helio Oiticica. A percussão do Teatro Nô e o samba conformam o universo sonoro, criando um hipertexto multicultural onde diversas leituras são possíveis.

Essa concepção está sendo questionada. A convivência em grupo provoca diversos debates. Como nos relacionamos? Como nós nos expressamos? O que estamos vivendo que é contemporâneo. Como se relacionar com o “antigo”, com o Teatro, Artes Plásticas e com as tradições que pesquisamos? Esse questionamento provoca um movimento no produto artístico de nosso trabalho, que se traduz como atualização a cada apresentação pública.

Corpo

Cada componente do grupo trabalha com fluídos, intenções e movimentos diferentes. Essas diferenças são respeitadas, como retalhos, idiossincrasias de cada um.
Em conjunto, pesquisamos um corpo que procura o efêmero e a transitoriedade das emoções ritualísticas.
No nosso trabalho o processo é explicito. Nossa intenção é mostrar rascunhos e transformações do mesmo. Nossa relação com o expectador é uma contínua experiência.